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Breve história do Hotel Santa Thereza
 
Icomos-Brasil
10/07/2007

Breve história do Hotel Santa Thereza

Da fundação em 1859 à demolição em 2006

LOCALIZADO NO BAIRRO DE SANTA TERESA - RIO DE JANEIRO

A primeira notícia que se tem do Hotel Santa Thereza (também conhecido, a partir de 1879, por Grande Hotel Santa Thereza) é do Almanak Laemmert de 1859, este hotel é o primeiro a se estabelecer em Santa Teresa; aparecia no almanaque com os seguintes endereços; em 1859, no Morro de Santa Tereza, nº 26; em 1873, na rua do Aqueducto (atual Almirante Alexandrino), nº 22; em 1876, nas páginas 48 e 50 e Junguilhos (atual rua Felício dos Santos), n° 4; em 1880, nas páginas 48 a 54 e Junguilhos, nº 5; em 1889; nas páginas 66 e 68; em 1911, nas páginas 176 e 184.

Em 1882, "O Grande Hotel Santa Thereza era um dos estabelecimentos que já dispunham de linhas telefônicas para todos os pontos da cidade e arrabaldes". Constituía assim um dos grandes estabelecimentos do período que anunciava "bom e grande estabelecimento, tendo sempre salas e quartos mobiliados com elegância; com sala de bilhar e piano a integrar suas dependências", proclamava ainda "integrar seus quadros, João José Torres e Carlos Ternite o primeiro antigo chefe de cozinha do Paço Imperial, durante 32 anos e o segundo com experiência adquirida ocupando o mesmo cargo nos principais hotéis da Europa."

O Hotel Santa Thereza após sua aquisição em 2004, pelo grupo hoteleiro francês, Exclusive Hotels, teve a existência então afetada pelos diversos afetos e interesses dos proprietários do imóvel, da vizinhança, dos ex-moradores do Hotel e da Associação de Moradores. Foi tombado no mesmo ano pelo prefeito, César Maia, que declarou fazê-lo para preservar um patrimônio que pertencia à história do bairro e de seus moradores.

Em março de 2006, começou a ser realizado o que foi chamado pelo Departamento Geral de Patrimônio Cultural (DGPC) de desmonte do prédio, o Hotel, para dar início ao projeto de restauração. Ocorre que esta "desmontagem" tinha as características de demolição. Isto foi denunciado incansavelmente pelo boletim informativo De olho em Santa: o andamento da demolição do conjunto arquitetônico do Hotel e o descaminho (a retirada acelerada do local) do material original da construção (telhas, esquadrias, assoalho e outros). Ao tempo desta denúncia, o DGPC respondeu por seu funcion´=ario, o arquiteto Luiz Eduardo Pinheiro, do Departamento de Inventário e Planejamento - DGPC/DIP. O arquiteto afirmou que "o Hotel Santa Tereza NÃO SE ENCONTRA SENDO DEMOLIDO, como o senhor EQUIVOCADAMENTE está informando às pessoas". O funcionário referia-se à denúncia feita pelo De Olho em Santa e a tachava de equivocada apesar das fotografias atestadoras do estado da obra, e continuou "Acontece que, para que as obras de restauração serem possíveis, algumas partes tem que ser desmontadas". O boletim continuava mostrando em fotos a utilização das retro-escavadeiras. Em resposta ao senhor Augusto Ivan, secretário de Urbanismo, que perguntava sobre o que estava ocorrendo, o antes diretor do DGPC e hoje secretário do Sedrepahc, André Zambelli respondia "Estamos acompanhando esse assunto sim. O que o Joel (De Olho em Santa) não entende é que está sendo demolida a construção que, apesar de fazer parte do conjunto do Antigo Hotel Santa Teresa, é posterior ao prédio principal e [está] em péssimo estado de conservação, com risco estrutural."

Uma foto apresentada pelo boletim do conjunto arquitetônico do Hotel, de autoria de Juan Gutierrez, em 1892, demonstra claramente o tal prédio anexo, considerado pelo órgão ou mesmo pelos atuais proprietários como construção posterior, compunha na realidade o conjunto arquitetônico original do Hotel.

Logo após esta constatação, o órgão responsável, o Sedrepahc, veio a realizar o embargo depois de o conjunto já ser irreversivelmente descaracterizado pela descuidada atuação dos construtores e já quase totalmente demolido, sobrando apenas a fachada lateral e pouco da área interna. O poder público enfim lavrou um auto de infração e decretou o embargo; condicionou a liberação da obra apenas após a emissão de um laudo técnico e a apresentação do projeto de reconstrução do Hotel com a contratação de profissional especializado em restauração.

Neste embargo e em depoimento ao jornal O Globo, o secretário do Sedrepahc, André Zambelli, diz que "a empresa recebeu um auto de infração pelo desrespeito e a obra permanecerá embargada até que seja apresentada uma equipe de profissionais com capacidade para reconstruir tudo que foi derrubado". Na ocasião, ainda assegurou "O que é importante para o patrimônio da cidade, certamente, será reconstruído". Respondendo ao secretário, a arquiteta Alba Pires, gerente de implantação do Hotel Santa Tereza, "alegou que as paredes de pau-a-pique estavam comprometidas e disse que o projeto seria seguido à risca e as paredes reerguidas utilizando-se o mesmo método da construção original".

Ao que nos parece bastaram estes argumentos para quem em seguida fosse retirado o embargo e a construção dita "reforma" do Hotel continuasse sem atender qualquer dos critérios exigidos.

O histórico apresentado demonstra a total irresponsabilidade tanto dos novos proprietários quanto do poder público na intenção de preservação deste imóvel tombado; agora o que há é a continuidade de um projeto inconseqüente e danoso ao nosso patrimônio arquitetônico e histórico; inclusive danoso à qualidade de vida e meio ambiente em Santa Teresa.

Consideramos, assim, a demolição do conjunto arquitetônico do Hotel Santa Thereza uma afronta, um desrespeito, verdadeiramente um crime contra o patrimônio histórico da cidade do Rio de Janeiro e mais precisamente contra os moradores do bairro, por afetar diretamente nossa qualidade de vida e ambiência social. O Hotel representava não só um dos primeiros imóveis a ocupar o bairro de Santa Teresa; o primeiro Hotel de Santa Thereza era o ultimo conjunto arquitetônico hoteleiro, em atividade e preservado, da segunda metade do século XIX que restava na cidade.

Referências bibliográficas

BELCHIOR, E.; POYARES, R. Pioneiros da hotelaria no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, SENAC, 1987.

"Santa Teresa: a cidade na montanha", em Bairros Cariocas, volume 2. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, Departamento Geral de Patrimônio Cultural, 1990.

Almanak Administrativo Mercantil e Industrial da Corte da província do Rio de Janeiro para o ano de 1850 a 1909, o conhecido Almanak Laemert.
 
 
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